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Entenda as várias fases da carreira de David Bowie

UOL Música

11/01/2016 18h06

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O cantor David Bowie na década de 1960

Com a morte do David Bowie, o mundo todo está relembrando a carreira do mestre e o apelido "Camaleão do Rock" aparece em quase todos os lugares. Pensando nisso elaboramos uma seleção mostrando o motivo da designação.

Se existe uma constante,um fio condutor que une todas as suas fases, é a capacidade camaleônica de mudar conforme o contexto para estar sempre na vanguarda, apontando novas tendências ou contribuindo com idéias criadas por outros.

O UOL Música Deezer explica então as diversas identidades adotadas por David Bowie durante sua vasta discografia, começando na década de 60 e terminando no elogiado novo álbum, "Blackstar".

Antes de mais nada, bote a playlist do Bowie para tocar.

1- Década de 1960 – o princípio

Em meados da década de 1960, David Bowie formou suas primeiras bandas que acabaram não fazendo sucesso. Buscando ainda uma identidade própria, o cantor versava entre o rhythm and blues norte-americano e o pop rock que recentemente botara a Inglaterra no topo das paradas mundiais.

Em 1967, lançou o primeiro álbum solo, autointitulado. Seguindo a linha do pop com toques psicodélicos da época, o disco não vendeu bem, apesar de ter sido bem recebido pela crítica e trazer boas faixas, como Love You Till Tuesday.

Apenas dois anos depois, Bowie lançou o segundo trabalho – também autointitulado, já com um visual mais andrógino e outro foco, com mais influência do folk rock, com muito violão, mas sem deixar os toques psicodélicos de lado. Veio daí também o primeiro hit, Space Oddity, um dos carros chefe eternos de Bowie.

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David Bowie – 1969

Destaques:

The Deram Anthology (1966-1968)
David Bowie (1969)

2- Década de 1970

Androginia e glamour
Em "The Man Who Sould The World", Bowie inaugurava sua década mais produtiva.  Levando a androginia às últimas consequências, aparece com um longo vestido na capa, antecipando a revolução que viria a seguir com a explosão do glam rock.

Iniciando a crucial parceria com o guitarrista Mick Ronson, Bowie lançou na sequência "Hunky Dory". Muito elogiado pela crítica na época, o álbum trouxe de volta a excitação do rock and roll dos anos 50 e 60 em versão atualizada e misturada com as experimentaçãos estéticas dos 70.

"Hunky Dory" inaugura assim a sonoridade que o cantor exploraria nos anos seguintes e que o transformou num ícone definitivo desta época. Músicas como Life on MarsChanges resumiam o que viria a seguir.

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The Man Who Sould the World – 1970

"The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" foi o momento mais marcante da sua carreira, com o personagem rockstar/alienígena glam Ziggy. O álbum foi um sucesso estrondoso, arrancando elogios dos críticos e vendendo 7,5 milhões de unidades, com sua sonoridade ao mesmo tempo roqueira e teatral, comercial e experimental.

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The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars – 1972

Em 1973, Bowie lançou mais dois discos ainda na onda do glam rock dos trabalhos anteriores, "Alladin Sane" e "PinUps". Este último prestava homenagem ao rock inglês dos anos 60, com covers de bandas como Pink Floyd, Kinks e The Who.

Esta fase seria finalizada em 1974 com "Diamond Dogs", um álbum conceitual inspirado no livro "1984" de George Orwell, que narrava uma espécie de visão glam rock de uma sociedade futurista distópica e totalitária.

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Alladin Sane – 1973

Jovens Americanos
Em 1975, Bowie surpreendeu dando um giro de 180° tanto no visual como na música. Cortou o cabelo "mullet" ruivo símbolo da fase anterior e trocou as lantejoulas e botas de plataforma por ternos elegantes, enquanto explorava a soul music e o funk com parceiros como o guitarrista Carlos Alomar (ex-James Brown) e o cantor e compositor Luther Vandross.

As letras também mudaram de foco, deixando de lado a juventude britânica e explorando a realidade dos Estados Unidos. Não é à toa que o nome do próximo álbum foi "Young Americans", cujo principal hit, Fame (parceria com John Lennon), levou-o a se apresentar no programa de televisão Soul Train, onde grandes ícones da black music fizeram história.

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Young Americans – 1975

Berlim
No álbum seguinte, "Station To Station", de 1976 surgia uma nova persona, batizada de "Thin White Duke" (o Duque Magro Branco), com um visual mais austero representando uma espécie de cantor de cabaré aristocrático.

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Bowie trajado como Thin White Duke

O disco ainda explorava a black music de "Young Americans", mas trazia e algumas músicas uma sonoridade mais "gelada" e experimental, usando muitos sintetizadores e a batida mecânica das bandas alemãs do chamado krautrock, como Kraftwerk e Neu!

E é daí que veio a fase seguinte. Transtornado, muito magro e viciado em cocaína, David Bowie se mudou para Berlim em busca de um novo conceito. Durante a temporada alemã produziu a trilogia que representa um dos momentos mais criativos e inovadores de sua carreira, os álbuns "Low", "Heroes" e "Lodger".

O som experimental, duro e futurista dos três álbuns traduz com perfeição a realidade da maior cidade alemã ainda dividida pela guerra fria e influenciou diretamente as bandas pós-punks que mudariam a cara do rock nos anos seguintes.

Destaques:

The Man Who Sould The World (1970)
Hunky Dory (1971)
The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972)
Young Americans (1975)
Low (1977)
Heroes (1977)

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Heroes – 1977

3- Década de 1980

Como uma espécie de antídoto para a carrancuda trilogia alemã Bowie passou os anos 80 surfando nas ondas do pop.  sempre com um tom de vanguarda , mas com um foco mais dançante do que roqueiro. Essa fase, iniciada com o álbum "Scary Monsters" (1980) trouxe alguns de seus maiores sucessos comerciais e artísticos, como "Let's Dance", mas também discos incompreendidos ou de qualidade duvidosa, como "Tonight" (1984) e "Never Let Me Down (1987).

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Let's Dance – 1983

E no fim da década, o camaleão voltou ao rock pesado, liderandoa banda Tin Machine, ao lado de Reeves Gabrels, Tony Sales e Hunt Sales. O barulhento álbum de estréia da banda dividiu opiniões, mas ficou para a história como mais uma virada corajosa na carreira de David Bowie.

Destaques:

Scary Monsters (And Super Creeps)
Under Pressure
Let's Dance
Tin Machine

4- Década de 1990

Nos anos 1990, Bowie deu mais um giro estético e abraçou as experimentações da música eletrônica. "Black Tie White Noise" e "Earthling" são os trabalhos mais representativos desta época, misturando intensidade roqueira com batidas vindas de gêneros como house, hip-hop, jungle e drum and bass.

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Black Tie White Noise – 1992

Destaques:

Black Tie White Noise
Outside

5 – Século 21

Em 2002, o camaleão voltou com tudo em "Heathen", que trouxe de volta o produtor Tony Visconti, seu parceiro entre 1969 e 1980. O trabalho dava a letra do que seria o David Bowie do século 21: uma lenda viva que por mais que flertasse com o pop, jamais abandonaria o vanguardismo.

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Heathen – 2002

Depois do bom "Reality" (2003), seguiu-se um hiato de 10 anos até "The Next Day". Um dos lançamentos mais comentados de 2013, agradou fãs e crítica e garantiu a Bowie seu primeiro número 1 em 20 anos nas paradas britânicas de álbuns. Um grande feito para um trabalho de rock experimental.

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The Next Day – 2013

E finalmente, na Sexta-feira (8) passada, Bowie lançou o último disco de inéditas da carreira enquanto completava 69 anos. O músico encerrou sua carreira com mais um trabalho corajoso. A mistura de rock alternativo com elementos de jazz melancólicos soam como um prenúncio do que viria dois depois.

Com a morte de Bowie no domingo (10), "Blackstar' se tornou um clássico instantâneo.

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Blackstar – 2016

Destaques:

 Heathen
The Next Day
Blackstar

 

Sobre o Blog

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